//Fórmula de Sucesso

Fórmula de Sucesso

Os farmacêuticos Lidiane Cátia Lemos, 36 anos, e Wagner Moresco, 37 anos, de Videira, Santa Catarina, fizeram uma imersão no mundo dos dermocosméticos para micropigmentação e descobriram um jeito único de se destacar em um mercado que só cresce.

Por Nicole Ramalho


 

Em 2003, quando decidiu estudar o mercado da micropigmentação, o casal catarinense descobriu que, por falta de opção, profissionais da área utilizavam os mesmos produtos que tatuadores. “Mas os resultados não eram bons”, diz Wagner. Por isso, foram pesquisar no exterior para, então, desenvolverem produtos específicos para esse tipo de trabalho. Depois de analisarem estudos japoneses e dinamarqueses sobre o assunto, descobriram que o grande vilão da história era o óleo mineral. “Ele compete com o ácido graxo que forma o manto hidrolipídico do nosso corpo. Por ter moléculas muito grandes, acaba expulsando o pigmento da pele. Além disso, com o tempo, o traçado vai ficando azulado”, explica. Wagner esclarece que, mesmo que o profissional utilize um pigmento da mais alta qualidade, se aplicar qualquer produto à base de vaselina ou qualquer petrolato para cicatrizar o local, o trabalho perde a cor e apresenta até falhas. A solução encontrada por ele e a esposa, depois de cinco anos de estudos, foi desenvolver dermocosméticos com base vegetal.

Sonho Realizado

Além de um casamento de quatro anos e uma empresa de quase 10, Wagner e Lidiane têm uma vida farmacêutica em comum. Eles estudaram e se formaram juntos na UNOESC – Universidade do Oeste de Santa Catarina. Apesar de terem tudo (ou quase tudo) em comum, o casal se completa. “Dermocosméticos sempre foram minha paixão. Como trabalhei em farmácia de manipulação por mais de 13 anos, me identifico muito. Lá, você tem uma mini-indústria porque desenvolve produtos para um determinado cliente, de acordo com as exigências de um médico. Era tão bacana montar uma fórmula e ver a satisfação do médico e do paciente, que resolvemos fazer disso algo que pudesse atingir mais pessoas”, conta. Para Lidiane, que foi docente nas turmas de farmácia e cosmetologia da universidade, essa área acaba limitando o profissional, pois é possível atender gente de regiões próximas e não o Brasil e o mundo, como fazem hoje. Já Wagner, hoje CEO Research, Development and Innovation (PD&I) da Vitamédica HealthCare Brasil, sonhava em ter a própria empresa. “Depois de formado, fui estudar farmácia industrial e engenharia farmacêutica porque trabalhei nove anos numa multinacional da área e precisava entender processos e quipamentos para o desenvolver produtos inovadores e seguros”, explica. “Todo dia nascem novos filhos.” Agora, o empresário diz que é hora de expandir. Para isso, o casal vai começar a produzir dermocosméticos em nível farmacêutico. “Não temos a intenção de fabricar medicamentos. Vamos fazer tudo acima das exigências da legislação para que a produção, os equipamentos, as análises e o acabamento das embalagens tenham ainda mais qualidade”, revela. Pensando assim, eles juntaram os dois desejos e, em 2009, nasceu a Vitamédica HealthCare Brasil que exporta produtos para países, como França, Canadá, Estados Unidos e Suíça. “Nosso foco é criar produtos diferenciados, inovadores e que atendam às necessidades dos clientes. Acredito que possamos agregar (e muito) a esse mercado”, comemora Lidiane.

Produtos Premium

Quando Wagner e Lidiane descobriram que produtos à base de minerais, além de irritarem a pele, acabavam com o trabalho dos profissionais, começaram a desenvolver dermocosméticos com ativos vegetais. “Todas as nossas fórmulas são isentas de parabenos, poliminerais, propileno e outros diluentes”, diz Wagner. Ele esclarece que, além de trabalhar com ingredientes específicos, a embalagem também era uma preocupação. Isso porque, segundo o farmacêutico, uma bisnaga, que, geralmente, abriga esse tipo de produto, permite a entrada de ar. “Por mais que você coloque uma carga alta de antioxidante na fórmula, ela vai oxidar. Então, importamos um modelo com sistema pump, ou seja, à vácuo. Isso torna o produto biosseguro, sem riscos de contaminação”, detalha. outro diferencial da Vitamédica é o rendimento dos produtos. “Com apenas 0,1 grama, você aplica nas duas sobrancelhas e tem uma cicatrização perfeita”, explica. Com o tempo, Wagner e Lidiane começaram a perceber que há uma tendência à ‘vegetalização’ desse tipo de dermocosméticos na Europa. “Isso significa tirar da fórmula tudo o que é artificial, o que sensibiliza e causa danos na pele”, revela o empresário. Sem substâncias minerais, a pele apresenta uma cicatrização perfeita, livre de irritações em apenas quatro dias. O grande segredo dos produtos da Vitamédica, segundo o casal, é a produção de fórmulas compatíveis com o corpo humano. “Nós mimetizamos, ou seja, copiamos o ácido graxo da pele, com a mesma porcentagem de água e de óleos naturais para conseguir chegar a um equilíbrio”, afirma Wagner.

Qualidade acima de tudo

“Nós não trocamos nossos produtos por dinheiro. Eles valem resultado e satisfação do cliente. Por isso, cobramos muito da nossa equipe e de nós mesmos”, garante Wagner. Para ele, não se deve falhar porque além da sua empresa, o micropigmentador e seus clientes sairiam igualmente prejudicados. Dessa forma, o empresário prefere não lançar produto, como ele mesmo diz, ‘no grito’. Se for necessário, esperam um, dois ou até cinco anos – como já aconteceu – para colocar algo no mercado. “E tudo tem que ser testado e aprovado”, reforça. Quando um produto vai ser lançado, todas as possibilidades – estudos e testes – são esgotadas dentro da empresa. Depois, partem para a experimentação de profissionais parceiros. “Enviamos as fórmulas para que eles usem num período de 15 a 18 meses até obterem resultados”, afirma. Nas redes sociais da empresa é possível ver que, de 20 dos melhores micropigmentadores reconhecidos no Brasil e internacionalmente, 15 usam Vitamédica.

“Nosso foco é criar produtos diferenciados, inovadores e que atendam às necessidades dos clientes. Acredito que possamos agregar (e muito) a esse mercado”

Questão de pele

Lidiane reforça que os produtos Vitamédica HealthCare tratam lesões, literalmente, pois a micropigmentação perfura a pele. Não por acaso, o objetivo dos dermocosméticos que produzem é cicatrizar perfeitamente o local sem danificar o trabalho realizado. “Nós estudamos o processo de cicatrização natural da pele. Portanto, a técnica e as ferramentas utilizadas pelo profissional não importam. Nosso trabalho é fixar o pigmento e não permitir que ele expanda e perca a cor”, detalha a empresária. Além disso, recentemente a empresa lançou um produto que torna a atividade do micropigmentador ainda mais leve e sutil. “Muitos tinham dificuldade na hora de colocar o pigmento na pele e acabavam pesando um pouco a mão, fazendo certa força. Com essa novidade, ficou mais fácil deslizar a agulha no local”, afirma. A farmacêutica conta que, este ano, eles lançaram o kit profissional, atendendo a muitos pedidos, que traz o passo a passo para um trabalho perfeito e uma cicatrização livre de traumas.

Crescimento planejado

Quando a Vitamédica surgiu no mercado, por conta de toda a tecnologia envolvida em seu processo de produção, o custo dos produtos era bem mais alto do que o da concorrência. Porém, Wagner afirma que, a partir do momento que as pessoas reconheceram a qualidade inigualável de seus dermocosméticos, passaram a acreditar na empresa.
“Elas percebiam que a cicatrização da pele era perfeita, sem aquela crosta que parece uma esponja nas sobrancelhas da cliente”, conta. O casal de farmacêuticos está investindo na nova fábrica, em Palhoça, Santa Catarina, com padrão farmacêutico – com um nível de equipamentos, ativos e exigências da lei muito superior aos de quem fabrica cosméticos. Para Wagner, a Vitamédica precisa sempre oferecer mais. “Nós temos a obrigação de surpreender o cliente”, conclui.

Por |2018-11-09T09:45:48+00:0003/10/2018|Micropigmentação|